Crônicas de uma mulher abandonada.

Ah! Quanta saudade do meu tempo de criança! Em noites claras meu avô e eu costumávamos olhar as estrelas brilhantes no céu.  Uma imensidão de sonhos era como se cada uma daquelas  estrelas  representasse um sonho meu.
Hoje percebo que esses sonhos se perderam no tempo…
Ainda me fascina a beleza do céu  azul com estrelas titilantes, estrelas cadentes formando chamejantes linhas até perderem-se na imensidão. É espantosamente belo.

Tudo ainda está do mesmo jeito, apenas a criança sonhadora deu lugar á uma mulher abandonada, amargurada, pedida em suas próprias desilusões

 

Confissões de uma mulher abandonada

 

O que é a vida? Glórias, aplausos, risos, alegria, felicidade…
Mas também são derrotas, lágrimas, sofrimento e dor!
Dias majestosos, noites no calabouço…
O destino ironicamente nos faz sorrir nos faz chorar.
Tudo muda o tempo todo como em uma montanha russa, hoje alcançamos as alturas e amanhã simplesmente desmoronamos!
Uns tem pouco para viver, outros tem tanto quanto não se pode contar.
Alguns amam e são amados, outros não amam e mesmo assim são amados e uma grande maioria simplesmente desconhece o que é o amor.
Quanto tempo é preciso para se descobrir que existe amor?
E se faz sofrer não pode ser amor!

E porque razão  erramos tanto tentando acertar?
Ilusórias e vãs são as respostas para esses e tantos outros questionamentos. Não consigo encontrar respostas para tantas divergências e conflitos internos.
Todos querem a felicidade, mas recusam-se a lutar por seus ideais e vão como uma folha seca levada para onde o vento assim desejar…
Como um navio em alto mar  levado por fortes correntezas e as únicas possibilidades que se vêem  são apenas o naufrágio inevitável e o capitão preparando-se para afundar com sua embarcação, visto que aproxima-se da hora do fim.
E se ao menos houvesse uma única chance de salvar-se preferir-se ia afundar para obter honradez.
E porque a busca incessante pela felicidade destrói as possibilidades que restam de alcançarmos?

Qual o  sentido dessa miraculosa existência?

 

E a vida?   Quanto vale uma vida?
Como a erva floresce pela manhã e murcha a tarde será simples assim?
Faz-me acreditar que viveremos como o destino quiser que vivamos, Amemos  apenas se formos amados e demonstremos aos outros uma felicidade que existe apenas em nossos sonhos.
É esse o sentido de viver?

 

Essas são as cronicas de uma  mulher abandonada. Mas que deseja ardentemente que uma dessas estrelas cadentes lhe conceda um único pedido…
Voltar a sonhar, resgatar a felicidade que está lá dentro, adormecida em algum cantinho obscuro da sua  alma.
Que ela compreenda finalmente o verdadeiro valor da vida e que viver vai além de perder ou ganhar.
É esse o sentido!